segunda-feira, julho 10, 2006

 

Foi sem querer


Foi sem querer que hoje uma lembrança longínqua sobreveio à memória. Nem é daquelas lembranças más, com um "tag" associado, um cheiro ou uma memória visual. Foi mais ao estilo abracadabra...PUF!!!!
Lembrei-me dos tempos das Caldas da Felgueira. Do Mondego, das aventuras nas margens, de uma queda terrível que dei num seixo gigante, de como bati com a cabeça e de ter feito um estrondo tal que os meus irmãos pensaram o pior. Da piscina do Grande Hotel, da angústia de nos deixarem ou não entrar, porque não eramos hóspedes e naquela altura ir para um hotel ainda era coisa mais ou menos de fachos. Iamos para lá, para as termas, por causa da bronquite asmática do meu irmão e lembro-me de pensar que ele era um desgraçado, pois só podia alinhar em parte das coisas que nós faziamos. De resto tinha os tratamentos e os descansos. Lembro-me de algumas das casas alugadas para onde fomos ao longo dos anos; casas pequenas, casas grandes. Em qualquer dos casos aquilo era campo, e do mais bonito que pode haver. Qunado não iamos à piscina iamos mergulhar no Mondego que era um bocado assustador, de tão escuro que era; nadavamos e às vezes os pés tocavam em coisas debaixo de água; e de tão escuro que era só pensava que seria um monstro ou coisa do género, batia as barbatanas a sete pés!
Ainda me recordo, inclusivamente, de estar na praia, em Milfontes, e de pensar com alguma angústia, de que ainda faltavam as três semanas nas termas... sem o pai, que só vinha aos fins-de-semana. Naquela altura as férias grandes eram mesmo grandes: três meses no minimo, mas se a escola não abrisse a horas houve um ano em que foram quase quatro!
Mas a memória que despoletou todas as outras foi a ocupação de fim-de-tarde nas Caldas da Felgueira: os pasteis de nata!!!
Havia, junto ao largo onde se ia para a bicha das senhas dos tratamentos do dia seguinte (do meu irmão) e para onde eu ia frequentemente, uns edifícios altos, e amarelos, nada que se parecesse com uma pastelaria. No entanto, havia dias em que uma janela do andar térreo se abria e onde nós podiamos comprar pasteis de nata, acabadinhos de fazer! Eram o nosso Epá, o nosso Supermaxi. Eram deliciosos! Ainda o serão, mas já não os disfruto como antigamente. Depois de um dia inteiro passado numa qualquer aventura, com pouco ou nenhum controle paternal, comer aqueles pasteis foi seguramente uma das coisas mais deliciosas que já experimentei.

Comments:
assim à primeira vista as carências são agudas, pelo sim pelo não vou mamar um que está no frigorífico.
 
Gostei deveras. Uma das tuas melhores postas. Acho que estás a encontrar o estilo em que és melhor a escrever.
 
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