terça-feira, setembro 06, 2005

 

6 de Setembro 2005

Esta história durou demais. Ou durou o tempo que teve de durar. Durou o tempo de que necessitei para acreditar que eu, de todas as pessoas, aquela que sempre se achou como não merecendo nuns casos, e merecendo, noutros, a sorte ou o azar que fui tendo até aqui, mereço mais. E melhor. Ao longo de todos estes anos, tudo aquilo que ia acontecendo, quase sempre longe de uma expectativa, deixou doce ou amargo atrás de si. Esta história deixou-me nu. É uma mudança grande. Por ser mudança e por ser grande, em relação a todo o meu passado, acolho-a todos os dias, assumindo quem sou, lutando por isso, tentando não fustigar aqueles que me querem bem e que me ajudam, não deixando de mostrar a verdade a todos quantos se vêem apenas e só a si e aos seus hábitos.
Penso eu: se alguém não se desvia um milímetro do seu caminho, como eu o faço, todos os dias, porque razão deverei acreditar? Porque razão devo persistir em algo que me faz mal?Que me enfraquece e entristece?
Outra alteração significativa, e por essa não dou um segundo do meu tempo e sofrimento mal empregues, é a de que pela primeira vez, sei que posso confiar no meu coração. Não é que a minha cabeça me tenha prestado sempre maus serviços, é apenas que dantes nada estava integrado e eu ou era todo coração ou todo cabeça. Hoje em dia já é um pouco diferente. E não são raros os dias em que o meu coração orienta as minhas escolhas e essas, uma por uma, estão correctas, segundo aquelas máximas budistas de "não ofenderás", "não dirás palavras vãs", "não tentarás seduzir a mulher alheia" (esta hoje em dia, e quanto a mim, não faz muito sentido; pelo menos a acreditar que se as pessoas se encontram é porque há uma razão de peso para isso acontecer). O problema é que tantas pessoas, distantes de si, puseram pernas ao caminho sem saberem o que é que de facto queriam da vida. Agora arrependem-se. Uns, os mais sérios, buscam novo caminho, à custa de dor e sofrimento, angústia e solidão, por saberem que depois da tempestade virá a bonança; outros, os mais pobres, avançam e recuam, enganam e enganam-se, vivem alheados e alheadamente daquilo que nos pode fazer melhores. A capacidade de amar. De escutar o coração. De por ele fazer cruzadas. A capacidade de matar o velho e acolher o novo. Tanto uns como outros são dignos de respeito. Tanto uns como outros fazem parte do nosso caminho. Sei-o hoje e já não estou contra ninguém. Estou ciente do meu caminho, é só isso.

Comments:
fim de história.Ponto final.
 
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