quinta-feira, fevereiro 21, 2008

 

Quimeras



Pai Natal
A Fada dos Dentes
Deus
Gambuzinos

domingo, janeiro 13, 2008

 

Facadas no Matrimónio

Assim como as crianças são da responsabilidade de todos, não devemos esquecer os outros que precisam de nós.
Alguém que desenvolva...

segunda-feira, setembro 25, 2006

 

Every man is an island

Vim não sei de onde. Uma ilha? Descobrir o quê? Um ponto na paisagem de um dado sitio, numa determinada hora. Para quê? Uma passagem conturbada pelo tempo que passa, por um devir histórico que não perdoa. Para quê? Uma passagem, é isso, dirão alguns. Algo que se não formos capazes de esquecer, nos atordoa e aperta de encontro à margem. Tanto fomos assim seremos, e mais nada. Um ponto. Uma ilha.

quarta-feira, setembro 20, 2006

 

Os Diálogos da Nação: sobre a escolha do novo PGR: um diálogo entre um Primeiro-Ministro e um líder da oposição

PM - Tá? Está lá?? (Foda-se que o anão caixa de óculos está a fazer-se difícil)
LO - Estou, estou... ESTOU!!!! (este manhoso deve estar a preparar alguma).
a ligação estabelece-se
PM - Olá Querido, como estás? Vi-te na televisão e parecias maior. Estavas com os teus sapatos ortopédicos ou em cima de algum assessor?
LO - Não filho. Tu é que estavas a olhar de cima de alguma burra. Que é que foi desta vez? Não assino mais nada, caralho, só o que o Cavaco disser.
PM - Não é para assinares nada, deixa-te disso. Além do mais se eu quisesse que assinasses alguma coisa, não te perguntava nada. Informava a imprensa. Não, é por causa do novo PGR. Já sabes que temos de mudar o velho...
LO - Então quem é que vais pôr no poleiro da justiça?
PM - Olha, lembrei-me daquele gajo da perinha. Que é que achas do tipo?
LO - Épá esse não. Esse gajo é só judeus e o camano. É tudo para nos f..d.r.
PM - Então e o outro, aquele que te perdoou as multas no passado.
LO - Chi pá, esse também não. Esse tipo não perdoa nada, é tudo com interesse
PM - Então e o Pinto Correia. Lembras-te dele? O gajo já foi presidente do conselho de justiça da FPF e tudo, meu. Estamos garantidos.
LO - Quem?
PM - O Correia Pinto, mon. O gajo instruiu mais de 200 processos de corrupção quando teve na procuradoria. E mais de 190 foram arquivados por falta de provas, por prescrição ou... sabe-se lá porquê... porque sim. É o que interessa pá. O que é que achas?
LO - Se o gajo vem do futebol parece-me bem. Precisamos de alguém que conheça bem toda a gente e como o sistema funciona. É porque o sistema tem de funcionar caralho. É para isso que estamos na política, ou não?
PM - Sim, sim abelha, o que tu queres sei eu. Estás-me a dizer que estes serves os interesses instalados e que não vai bulir com o pessoal não é? Era o que eu pensava, dread. Sabes que a gente pensa, não é como alguns (pisca o olho ao assessor mais próximo).
LO - Tá bem, prontos. E já disseste alguma coisa ao PR?
PM - Não. É preciso?
LO - Épá, tu é que sabes. O gajo ainda está um bocadito amerdalhado por causa da Segurança Social, que tu não quiseste assinar um acordo comigo (ainda te vais foder, diz entredentes).
PM - .... pois. Se calhar é melhor. O gajo gosta das fotos e dos bolinhos das vernissages...
LO - Faz o que entenderes. Ainda vamos ao W, mai logo?
PM - Tu és mazé malhuco, bacano. Ainda tenho de fazer aquela cena do TGV senão o PCE não dá guito (...o traidor, rosna).
LO - Tá bem. Olha beijinhos na boca para ti e para os teus queridos.
PM - Tá bem Zé Gato. Vai mamar na quinta pata. Até breve.
clic....

todas as semelhanças entre personagens e situações actuais resultam de puras coincidências

segunda-feira, julho 10, 2006

 

Foi sem querer


Foi sem querer que hoje uma lembrança longínqua sobreveio à memória. Nem é daquelas lembranças más, com um "tag" associado, um cheiro ou uma memória visual. Foi mais ao estilo abracadabra...PUF!!!!
Lembrei-me dos tempos das Caldas da Felgueira. Do Mondego, das aventuras nas margens, de uma queda terrível que dei num seixo gigante, de como bati com a cabeça e de ter feito um estrondo tal que os meus irmãos pensaram o pior. Da piscina do Grande Hotel, da angústia de nos deixarem ou não entrar, porque não eramos hóspedes e naquela altura ir para um hotel ainda era coisa mais ou menos de fachos. Iamos para lá, para as termas, por causa da bronquite asmática do meu irmão e lembro-me de pensar que ele era um desgraçado, pois só podia alinhar em parte das coisas que nós faziamos. De resto tinha os tratamentos e os descansos. Lembro-me de algumas das casas alugadas para onde fomos ao longo dos anos; casas pequenas, casas grandes. Em qualquer dos casos aquilo era campo, e do mais bonito que pode haver. Qunado não iamos à piscina iamos mergulhar no Mondego que era um bocado assustador, de tão escuro que era; nadavamos e às vezes os pés tocavam em coisas debaixo de água; e de tão escuro que era só pensava que seria um monstro ou coisa do género, batia as barbatanas a sete pés!
Ainda me recordo, inclusivamente, de estar na praia, em Milfontes, e de pensar com alguma angústia, de que ainda faltavam as três semanas nas termas... sem o pai, que só vinha aos fins-de-semana. Naquela altura as férias grandes eram mesmo grandes: três meses no minimo, mas se a escola não abrisse a horas houve um ano em que foram quase quatro!
Mas a memória que despoletou todas as outras foi a ocupação de fim-de-tarde nas Caldas da Felgueira: os pasteis de nata!!!
Havia, junto ao largo onde se ia para a bicha das senhas dos tratamentos do dia seguinte (do meu irmão) e para onde eu ia frequentemente, uns edifícios altos, e amarelos, nada que se parecesse com uma pastelaria. No entanto, havia dias em que uma janela do andar térreo se abria e onde nós podiamos comprar pasteis de nata, acabadinhos de fazer! Eram o nosso Epá, o nosso Supermaxi. Eram deliciosos! Ainda o serão, mas já não os disfruto como antigamente. Depois de um dia inteiro passado numa qualquer aventura, com pouco ou nenhum controle paternal, comer aqueles pasteis foi seguramente uma das coisas mais deliciosas que já experimentei.

terça-feira, julho 04, 2006

 

Um episódio

Aquele era um sitio tão bom como qualquer outro. Sentou-se. À espera. A toda à volta a vida corria a bom passo. Pessoas e carros. Mais carros e mais pessoas. Ocasionalmente, alguém cruzava o olhar com o seu. Não que a sua vista se detivesse, por mais do que um breve momento, num sitio só. A maior parte dos olhares não lhe eram dirigidos é certo. Mas isso também não parecia importar agora, já se tinha despedido de toda a gente que lhe importava.
Chegara ali e tudo aquilo que conseguia agora fazer era soltar uns lamentos. Ao vento. Queixava-se de tudo. Queixava-se das dores que tinha e daquelas que ainda se conseguia lembrar. Involuntariamente dava por si a pensar no tempo e a pintá-lo, como se fosse um filme. A principio, desordenadamente. Depois as coisas encadeavam-se como num verdadeiro guião. À medida que as lembranças se tornavam mais vivas.
Em certos momentos, dava por si a soltar um lamento. Saia-lhe do peito, da boca e da garganta, assim. Sem controlo. Eram lamentos longos, profundos. O corpo todo atrás.
Numa das vezes, enlevado por uma memória, cheia de calor e bem estar, saiu-lhe uma lágrima e um esgar de sorriso. Afinal aquilo era dele. Era ele. Tinha história. Podia já ter passado e estar desaparecido como que por um acaso, mas tinha existido.
Mesmo assim foi demais. Naquele momento precisava de tudo aquilo que não tinha. E já não tinha mais forças para ir à procura ou ficar à espera de um alento num olhar.
Sobravam-lhe, contudo, para fazer aquilo que o tinha trazido ali, percebia agora.
Carros a buzinar, cabeças a voltarem-se num instante. Servia perfeitamente para lhe preencher o espaço de consciência que restava.
Atravessou.

segunda-feira, junho 26, 2006

 

Aurélio Azeitão

Aurélio Azeitão supliciava-se constantemente.

Desde que o pai lhe dissera com ar decidido - Nunca hás de ser nada na vida! - que o seu pequeno cérebro hibernara, todas as ligações neuronais cristalizaram entrando num ciclo infinito de repetição.

Como qualquer ser humano reagiu a este acontecimento contrariando-o. Julgou tornar-se um membro activo do Opus Dei como caminho para a sua libertação e dos pecados deste mundo, isto enquanto esperava pelo outro, onde julgava pudesse ser livre.

Esforçava-se por entender o mundo, tomava decisões muito acertadas mas sem que se perceba porquê. Conquistou todos os lugares a que se propôs aceder, sem perceber como ou sequer se preocupar com isso.

Todas as noites era açoitado e punido com introduções anais.

Azeitão tinha-se inscrito por engano no opus gay, mas continuava a usar o cilício para se mortificar como tinha lido num artigo intitulado "Opus Dei, caminho para a libertação" numa edição antiga do Readers Digest.

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência e não voltará a acontecer.

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